Turismo, e seus números enganosos

 

Existe um segmento do setor turístico ao qual não interessa um pouquinho sequer o lema de que é “via de mão dupla”. Ops! Nem todo o hoteleiro vai concordar comigo, e destaco os que trabalham em hotéis de cadeias internacionais com unidades locais. Esses sempre poderão citar sua influência no ciclo de exportação de turistas brasileiros.
De maneira geral, hoteleiros somente se interessam pelos turistas que “chegam”, pois os que “vão” não promovem movimento. Apesar da “fanfarronice” que existe em âmbito nacional sobre o desenvolvimento do turismo, via de regra, há muitos anos que a conta turismo do Brasil é deficitária, alcançando alguns bilhões de dólares que, às vezes, chegam a dois dígitos. O turismo emissivo (muito mais interessante é o receptivo) passa longe pelos radares da hotelaria local que, inclusive, sofre a concorrência dos cruzeiros marítimos, quando esses hotéis são localizados na zona litorânea.
Uma nada lisonjeira análise comparativa sobre turismo no Rio Grande do Sul foi feita por José Justo ao informar em bela matéria que o registro da conta do turismo receptivo


 Em Portugal, no ano de 2016, a rubrica das contas de exportação denominada TURISMO, cobre o déficit da balança comercial (lá eles consideram os dólares e euros,  advindos do exterior em forma de passagens aéreas, passagens terrestres e bilhetes terrestres, diárias de hotel, comidas na cadeia AFL, entretenimento, museus e pasteis de nata, entre outros, como resultado de exportação).

 Análise do Banco de Portugal para 2016, publicada no último dia 3 de maio, mostra o papel importante do turismo no crescimento, no emprego e nos saldos de divisas. Esse saldo positivo registrado pela pátria lusa nos serviços de turismo, praticamente igualou o déficit no comércio exterior, contribuindo de forma decisiva para o resultado positivo obtido nas contas externas do país durante o ano passado.

 O papel desempenhado pelo turismo nas contas externas é mais evidente do que nunca. O saldo da conta "viagens e turismo" (vendas a não residentes menos compras realizadas por portugueses no estrangeiro) atingiu em 2016 os 4,8% do PIB, confirmando e esticando a tendência de subida nos últimos anos. Tendo em conta que, no mesmo período, o saldo da balança de bens (habitualmente deficitária em Portugal) foi negativo em 4,9%, isto significou que a atividade de “viagem de ida e volta” conseguiu compensar quase por inteiro o déficit português na sua balança de pagamentos.

 Em 2015 a capital gaúcha colocou em seus cofres, 20 milhões de reais advindos do turismo da cidade em forma de arrecadação de imposto sobre serviços. Caso a conta tenha sido feita corretamente, isso representou bem menos de 1% do PIB municipal (0,645%, para ser mais próxima do número oficial da quase extinta Fundação de Economia de Estatística) e sinalizou o tamanho do caminho que ainda falta percorrer para dar significância ao dito na terra dos alegres casais açorianos.

 Do outro lado do Atlântico, a mítica Ulissopolis, que tem apenas metade da população da Leal e Valorosa, pagou a conta, equilibrando a balança de pagamentos do país em 2016, com o assombroso contingente de algo em torno de 12 milhões de turistas, para contribuir com parte dos 4,9% do PIB nacional (deles). Junte-se a isso o Porto, tricampeão como melhor destino de turismo da Europa em 2016, mais o Santuário de Fátima, mais as ondas de Nazaré, mais... Pronto! A pátria de Cristiano Ronaldo faturando a Eurocopa, passa a ser um case a ser estudado e para se copiar

 Portugal está rodeado de 600 milhões de habitantes de mais de 40 países, que falam mais de 30 diferentes idiomas. O RS está rodeado de mais de 250 milhões de pessoas, que falam apenas dois idiomas, muito parecidos: espanhol e português.

 As populações do RS e de Portugal são quase iguais: 11,3 milhões cá e 10,3 milhões lá. Os territórios são díspares, cabem 3 vezes a terra de Luis de Camões, dentro das fronteiras da terra de Sepé Tiaraju.

 Por lá, enquanto o madeirense galã dos gramados trajando a camisola do Real Madrid, chuta certeiro entre as traves adversárias e o trade fica mais importante que industrias e agriculturas, do lado de cá, um grande número de cidades com potencial turístico praticam uma verborragia de muita qualidade verbal e zero em eficiência econômica, provocando o fenômeno do “turismo sem turista”. E a cidade de dois campeões mundiais e dois estádios maiores e mais bonitos que a Luz e o Alvalade, continua a fazer passeios de ônibus, acreditando que isso também é turismo.

 (Fontes: Jornalista Sérgio Aníbal -O Público, Diário de Notícias de Lisboa, Banco de Portugal, POACVB, FEE

 

Deficit do turismo


Com efeito, o Brasil apresentou em 2005 um déficit de US$ 8,1 bilhões na suas contas no setor de serviços, importando cerca US$ 24,2 bilhões em serviços e exportando US$ 16,1 bilhões no mesmo setor. Dentre os itens que mais contribuíram para o déficit do setor de turismo destaca-se o item Viagens Internacionais. O déficit do setor de Serviços está se ampliando a cada ano que passa. Esse fato pode ser visto na tabela que se segue:

Pode-se ver acima que o déficit na conta internacional de serviços praticamente dobrou de 2004 para 2005, passando de US$ 4,7 bulhões (em 2004) para US$ 8,1 bilhões em 2005, quando superou sua media histórica na década, em torno de US$ 6,0 a US$ 7,0 bilhões,

Conforme mencionado acima, uma das causa principais do déficit no setor de comércio internacional de serviços é o setor de turismo. Esse fato pode ser claramente na tabela que se segue, onde se destacam o os itens Transportes e o item Viagens, ambos componentes do Setor Turismo2:

Terceiro, sabendo-se das oportunidades para operadoras brasileiras no mercado Sul-Sul e da internacionalização dos empresários brasileiros do ramo de restaurantes, franqueados ou não, sugere-se que a APEX desenvolva programas específicos para exportação de turismo, a princípio voltados ao fortalecimento institucional e comercial de operadores e de restaurantes interessados em terem presença comercial no exterior. Os autores consideram que a capacitação do empresariado brasileiro é fundamental para o sucesso do processo de liberalização. Primeiro, o desconhecimento sobre o tema sugere que há espaço para um programa de sensibilização, iniciado por um ou mais seminários internacionais onde representantes de entidades de ponta como OMT, UNCTAD E OMC possam estar presentes falando sobre essa nova realidade. Segundo, a realização de estudos de mercado voltados a diagnosticar oportunidades de negócios para operadoras e restaurantes brasileiros no exterior. Terceiro, a capacitação propriamente dita do empresariado em questões relativas ao comércio internacional. Em suma, o Brasil deverá manter sua oferta e rapidamente desenvolver as ma

Para reduzir o déficit brasileiro e aumentar as exportações de Serviços Turísticos, o Brasil precisa atrair mais turistas (turismo receptivo). Para tanto, a presença no exterior das empresas brasileiras da área de Agência de Viagens, Operadoras e Casa de Câmbio teria que se intensificar. A esse processo de ida para o exterior é dado o nome de internacionalização. Bello assim definiu tal processo:

BELLO, Ubyrajara Brasil Dal. A Internacionalização De Empresas Brasileiras E O Marketing. In www.ilea.ufrgs.br/nerint/arquivoartigos/content460/content460_2/1.html - 40k - 4 Bello nota que que na década de 70 vigorava o modelo cepalino pelo qual a idéia do substituto nacional era o grande argumento para coibir as importações de produtos. Por outro lado, países como Japão, Taiwan e mesmo o Uruguai, em decorrência de suas limitações naturais, são exemplos típicos de nações dependentes do comércio externo por questões de sobrevivência


Para Bello, a ação do governo pode funcionar como elemento de fomento aos negócios internacionais ou como forte fator restritivo4. Em suma, Porter sustenta que existem quatro elementos que, em última instância, são responsáveis por tornar um país líder internacional em algum segmento econômico específico, como por exemplo a Itália em sapatos, a Holanda em flores, o Japão em eletrônica e assim por diante. Segundo ele, tais elementos seriam: a) Condição dos fatores de produção: a abundância ou escassez de fatores de produção (recursos naturais, mão-de-obra, capital e tecnologia) pode forçar o país a superar suas deficiências por meio do desenvolvimento de uma alta qualidade de sua mão-de-obra que, por sua vez, desenvolve e implanta infra-estruturas produtivas tais como sistemas de produção (indústrias), de comunicação (telefonia, Internet, faz, rádio, televisão, satélites), e de transportes (portos, aeroportos, rodovias, vias fluviais, serviços marítimos e de cabotagem, ferrovias, etc.), o que resulta numa sinergia, rumo a uma ação comercial internacional, muito mais eficiente do que a de outros países competidores. b) Condição da demanda: um mercado doméstico bem delineado, sofisticado e extremamente competitivo força as empresas a competirem por qualidade e custos, ajudando-as a melhor enfrentarem a competição internacional. c) Rede de empresas relacionadas e de suporte: a existência de um conjunto de empresas fornecedoras de matéria-prima, insumos, produto acessórios ou complementares e de assistência técnica, além de outras especializadas em transporte, armazenagem, distribuição e financiamento permitem às indústrias fabricantes a ousarem na busca de novos mercados consumidores assegurados por uma farta retaguarda. d) Estratégia, estrutura e competitividade: a maneira como as empresas desenvolvem e gerenciam suas estratégias, ou conformam suas estruturas organizacionais ou, ainda, competem entre si num determinado segmento 3 BELLO, Ubyrajara Brasil Dal. A Internacionalização De Empresas Brasileiras E O Marketing. In www.ilea.ufrgs.br/nerint/arquivoartigos/content460/content460_2/1.html - 40k - 4 Bello nota que que na década de 70 vigorava o modelo cepalino pelo qual a idéia do substituto nacional era o grande argumento para coibir as importações de produtos. Por outro lado, países como Japão, Taiwan e mesmo o Uruguai, em decorrência de suas limitações naturais, são exemplos típicos de nações dependentes do comércio externo por questões de sobrevivência 12 doméstico as fortalecem ou as tornam mais hábeis para competir com qualquer outra empresa em qualquer outro país.


brasileiros ocupam a terceira posição em uma lista de turistas que mais gastam nos Estados Unidos, atrás apenas de britânicos e japoneses, de acordo com o Departamento de Comércio americano.


Brasileiros gastaram 250% a mais nos EUA

Foto: Getty Images

Desde 2003, os brasileiros aumentaram suas despesas nos EUA em 250%, o que os levou a escalar quatro colocações no ranking, deixando para trás franceses, australianos, sul-coreanos e alemães. A valorização do Real e o aumento dos preços dentro do País são alguns dos motivos que geraram esse aumento.

No entanto, estas estatísticas não incluem dados dos cidadãos mexicanos e canadenses, já que suas despesas no país não costumam ser por motivos turísticos, embora o volume de suas compras os coloque no topo da lista.

Além de um aumento nas despesas, as previsões do Departamento de Comércio incluíram um aumento no número de turistas brasileiros nos Estados Unidos. Cálculos indicaram que cerca de 1,4 milhão de brasileiros visitarão os EUA neste ano, e que este número dobrará em 2016.


Concentração de brasileiros em cidade japonesa vira atração turística

Ewerthon TobaceDe Oizumi, Japão, para a BBC Brasil

As cores da bandeira brasileira estão por toda parte em Oizumi, um pequeno município na província de Gunma, cerca de 100 quilômetros ao norte de Tóquio.

Com pouco mais de 40 mil habitantes, a cidade se tornou um dos principais destinos dos brasileiros no início da década de 1990 e hoje ostenta o título de "Cidade Brasileira" do Japão.

A denominação não é por acaso. Cerca de 10% da população local é brasileira e, na avenida principal da cidade, espalham-se todo tipo de comércio e prestadores de serviços voltados para a comunidade.

A Associação de Turismo local percebeu o potencial e, desde 2009, começou uma campanha para atrair turistas, antes inexistentes, para a cidade.

"Hoje são cerca de 10 mil visitantes por ano e a tendência é de crescimento por causa dos projetos para atrair também pessoas de outras regiões do Japão e de países da Ásia", contou à BBC Brasil Shuichi Ono, vice-presidente da associação.

Turistas japoneses também se divertem em Oizumi, onde 10% da população é brasileira

Ono diz que Oizumi não tem nenhum atrativo turístico a não ser os brasileiros. "E como o Brasil é longe geograficamente, muitos japoneses preferem vir até Oizumi mesmo", garante.

O próprio Ono é um apaixonado pelo Brasil. O japonês ainda não teve coragem de encarar a longa jornada em direção ao país sul-americano. "Aqui em Gunma tem de tudo mesmo", brinca.

Desde que começou a campanha, o número de ônibus de turismo na cidade vem aumentando.

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Agora, todo final de semana, cerca de três veículos saem de Tóquio lotados de japoneses curiosos por conhecer a cultura e culinária brasileiras.

"São japoneses de todas as idades. Os mais velhos querem experimentar a comida. Os mais novos, fazer uma aula de samba ou capoeira", detalha Ono.

Orgulho das raízes

O músico, designer e promotor de eventos Paulo Hirano, de 36 anos, conta que a chegada dos turistas japoneses fez com que os próprios brasileiros valorizassem sua origem.

"Hoje, a gente percebe que as pessoas têm mais orgulho das suas raízes", diz Hirano, que só foi aprender o idioma português quando entrou na faculdade de letras.

Cidade a 100 km de Tóquio tem churrasco e aulas de samba e capoeira

O brasileiro chegou ao Japão em 1989, aos dez anos de idade. Ele viu a comunidade evoluir e, hoje, ele desempenha um importante papel de ligação entre brasileiros e japoneses.

"Ainda há uma certa resistência dos japoneses em aceitar os estrangeiros, mas aos poucos a visão está mudando", afirma.

A líder comunitária Shoko Takano, que mora na cidade há mais de 26 anos, concorda com Hirano.

Ela conta que, no começo, a população local não gostava nada da presença dos forasteiros e houve muita discriminação por causa das diferenças culturais.

"Mas depois de 15 anos o lado positivo dos brasileiros começou a aparecer. Os japoneses viram que nós somos um povo unido e muitos ainda ficam admirados com o nosso lado afetivo", fala.

Ela ressalta que a economia local hoje depende muito dos brasileiros.

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"Além disso, graças à presença dessa comunidade a cidade ganhou destaque na mídia japonesa, principalmente ano passado, durante a Copa do Mundo de Futebol", lembra Takano.

70% de japoneses

Restaurante brasileiro de Marco Antonio Miyazaki começou para a comunidade, mas já serve mais japoneses

O empresário Marco Antonio Miyazaki é um dos que aposta na campanha da associação de turismo de Oizumi.

Recentemente, ele investiu num café cultural, um espaço onde os turistas podem conhecer um pouquinho mais da história da imigração japonesa e do movimento decasségui - que faz 25 anos nesta semana - enquanto saboreiam um café e comem iguarias típicas do Brasil.

"No início, o comércio brasileiro era voltado exclusivamente para a comunidade. Hoje isso mudou e atendemos cada vez mais a clientela japonesa", conta Miyazaki, que mantém também um restaurante e uma loja de lembrancinhas do Brasil.

Metade dos clientes que frequentam o restaurante dele, por exemplo, são japoneses e, nos finais de semana, com a chegada dos ônibus de turismo, o número aumenta para 70%.

 

Renato Brenol Andrade